sábado, 23 de julho de 2011

Cogito


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

(Torquato Neto)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Revelação

Havia sido formalmente convidada. Viajou com alta carga de stress funcional como era de costume. Manter o foco, era essa a atitude que alimentava a profissional e fazia com que ignorasse o local, as pessoas e todo o resto. Aeroporto, táxi, balcão do hotel. Deitou as malas no chão do quarto e abriu as portas da sacada. Daí, a surpresa. O mar. Era o mar. A brisa marítima invadiu o quarto e aguçou-lhe os sentidos. O céu, as ondas e aquele entardecer a fizeram lembrar de quem havia sido. Alguém que estava ao lado, dentro, sabe-se lá em que tempo ou lugar. Por instantes, ela era outra. Recordou-se de velhos e simples desejos. Sentiu-se só e chorou. Sabia que a dor maior da solidão era não ter com quem compartilhar alegrias. Calçou um tênis e correu para a praia, antes que o sol fosse embora. Falou com desconhecidos, sentou-se pouco à vontade junto a um banco, mas voltou logo para o quarto, para as malas, o texto da conferência que ainda precisava de ajustes. Sim, era essa sua zona de conforto diante de todas as suas misérias pessoais. Trabalhou até ficar com sono e sentir-se menos ridícula por aquele êxtase marítimo. A conferência foi um sucesso, muitos a parabenizaram pela competência e inquestionável segurança

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Teste

Teste